A arte figurativa está em festa... Há cem anos nascia o mestre. Vitalino Pereira dos Santos, nasceu na Ribeira dos Campos (zona rural de Caruaru) e tornou-se a principal referência da arte em barro confeccionando peças que estavam intimamente ligadas ao cotidiano do Nordeste. Além de artesão, Vitalino também criou a banda de pífanos Zabumba Vitalino. A arte de Vitalino é mias uma referência para a análise e interpretação da vida e da cultura do povo do Nordeste. Para homenagear este artista ímpar tomamos emprestadas as palavras de Petrúcio Amorim:
Deus do Barro Petrúcio Amorim / Marron Brasileiro / Rogério Rangel Quando Deus fez o homem sua semelhança
Foi amassando o barro com a mão
Deu um sopro de vida e de esperança
E espalhou pelo mundo a criação Pra fazer com amor é preciso fé
Da mistura da lama saber tirar
A imagem de toda Maria e todo ZéTudo
aquilo que aterra pudesse dar O boneco do mestre Vitalino
É grandeza por ter simplicidade
Com o barro ele fez o seu destino
Pelo barro ganhou eternidade Pra fazer com amor é preciso fé
Da mistura da lama saber tirar
A imagem de toda Maria e todo Zé
Tudo aquilo que a terra pudesse dar Amassa com a mão, amassa
Um boneco, uma banda de pife
Um dentista um cavalo, um boi de carro Amassa com a mão, amassa
No início do século XVI, o Brasil e sua produção açucareira ocupavam um destacado papel na economia portuguesa e, por que não dizer, no comércio europeu. Justamente devido a essa importância a colônia despertou o interesse dos holandeses, que a princípio foram parceiros dos portugueses nos negócios coloniais do açúcar.
A União Ibérica (1580-1640), período em que Portugal e Espanha formaram um só reino, mudou as características amistosas das relações comerciais com os holandeses. Por serem inimigos da Espanha, que controlou as colônias de Portugal durante a citada União, os holandeses optam por invadir o Brasil, inicialmente Salvador (1624-1625) e depois, Pernambuco. Conquistada a capitania expandem seus domínios para a Paraíba, o Rio Grande Norte, Ceará e Maranhão. É nesta fase que se instala um governo Holandês no Nordeste do Brasil e chega o Conde Maurício de Nassau.
Nassau e a transformação do Recife
A serviço da WIC (sigla de Companhia de Comércio das Índias Ocidentais), Nassau transforma a pequena vila do Recife no centro de seu governo. Para reestruturar a economia açucareira concede empréstimos a senhores de engenho. Executa obras públicas como drenagem de áreas alagadas, construção de prédios públicos, criação do jardim botânico e de um observatório astronômico entre outras. Também traz missões científicas e artísticas e com a ajuda de um certo “boi voador” arrecada dinheiro para a construção da mais longa ponte da América na época. Tudo isto somado a um momento de tolerância religiosa incomum naquele período.
Sua administração marcou de tal modo o imaginário e a memória dos pernambucanos que, apesar de seu governo ter durado apenas sete anos e ter ocorrido há mais de três séculos, ele permanece como uma referência por quem os recifenses e praticamente todo o povo de Pernambuco possuem uma certa admiração.
Outros tempos
A forma de Nassau administrar gerou desconfiança e não contou com a aprovação da WIC que o destituiu do cargo e cobrou as dívidas dos senhores de engenho. Revoltados, os produtores de açúcar, pegaram em armas, e mesmo sem contar com o apoio português, venceram os holandeses em algumas batalhas, era a Insurreição Pernambucana. Ao final dos conflitos e já com o apoio da metrópole os batavos foram expulsos pelos luso-brasileiros, feito que enche de orgulho o povo pernambucano que cita este fato como o “nascimento da pátria brasileira”. Devido a acordos e pressões a Holanda foi recompensada com uma indenização de 4 milhões de cruzados e com algumas colônias portuguesas na África e na Ásia. Isto no entanto, não desmerece o feito dos que lutaram.
Depois da expulsão dos holandeses muito coisa mudou, Portugal já estava separado da Espanha e a sua colônia na América havia aumentado de tamanho graças a interiorização de certas atividades como a pecuária, as missões jesuíticas e as ações dos bandeirantes. Com o declínio do açúcar, provocado pela concorrência antilhana, novos tempos se iniciariam e irão formatar o território e a colonização doravante.
No Brasil e em muitos outros lugares já se vivia o clima de Carnaval. Já na comunidade científica comemoravam-se os 200 anos de nascimento do naturalista inglês Charles Darwin (12/2/1809-19/4/1882). Darwin é o responsável por uma das mais importantes e revolucionárias teorias da ciência moderna: A Teoria da Evolução das Espécies. Publicada em 1859 no livro “A Origem das Espécies”, esta tese defende a ideia de que há na natureza uma seleção natural dos seres mais aptos e uma eliminação dos menos dotados. Como não poderia deixar de ser esta teoria causou muita polêmica e gerou as mais diversas reações. A pesquisa Charles Darwin viajou a bordo do navio HMS Beagle, que fazia a coleta de dados cartográficos para a marinha britânica. A viagem do Beagle durou quase cinco anos (1831-1836), sendo que Darwin passou parte deste período em terra firme. Durante a viagem – mesmo com períodos de estadia – Darwin pode coletar importantes informações que ele juntou a dados de pesquisas anteriores feitas por estudiosos de diversas áreas e que foram sedimentando as ideias sobre a evolução e a seleção natural das espécies. Ao final da viagem ele já havia se tornado importante no universo acadêmico graças à divulgação, por alguns amigos, de parte de suas ideias e de seus resumos. A vigem a bordo do Beagle não foi fácil. Durante o percurso Charles Darwin sofreu de palpitações, vômitos e outros sintomas que por pouco não o fizeram desistir, mas ele manteve-se firme em seus propósitos científicos e concluiu a jornada, mesmo não recebendo nenhum pagamento por isto. A divulgação dos resultados e as reações Darwin demorou para publicar suas idéias. Em 1844 lançou o livro “Vestígios da História Natural da Criação”, que provocou reações adversas até mesmo em alguns de seus amigos (note-se que o título do livro ainda menciona a criação). Sabendo das possíveis reações que suas teorias iriam provocar ele decidiu ser cauteloso ao divulgá-las, porém com notícia de que Alfred Russel Wallace, trabalhava numa tese similar à sua, Darwin decidiu publicar em 1858 o resultado dos seus estudos em conjunto com os de Wallace. Como se previa a divulgação gerou reações que iam da incredulidade às mais grotescas charges e insultos. Tanto nos meios acadêmicos quanto na esfera religiosa a teoria da evolução encontrou adversários e gerou polêmica. Ao final do século XIX e, especialmente, no século XX é que as idéias de Darwin se tornaram a principal fonte explicação científica para o surgimento e a evolução das espécies de seres vivos do planeta. Mesmo hoje, ainda há rejeição às ideias darwinianas como por exemplo em certos lugares dos Estados Unidos onde o evolucionismo foi banido dos livros didáticos e das salas de aula. Algumas curiosidades Durante os quase cinco anos que duraram a viagem do Beagle, Darwin passou mais de um terço em terra firme, onde se hospedou e ate residiu por certo tempo em alguns lugares, entre eles, o Brasil (onde esteve em Fernando de Noronha, na Bahia e no Rio de Janeiro). No Chile presenciou um terremoto. Darwin fez observações geológicas afirmando que a massa terrestre da América estava se elevando. Para fortalecer suas ideias sobre as mudanças que poderiam ocorrer em determinadas espécies animais Darwin conversava frequentemente com criadores de pombos e porcos. A importância de Darwin É difícil negar a importância dos estudos de Charles Darwin e sua contribuição para o conhecimento da humanidade. Só mesmo deixando de lado certos ranços e preconceitos podermos ter a clara noção da revolução provocada por suas teorias.
Santa Cruz do Capibaribe, Nordeste/Pernambuco, Brazil
Professor de História dos Ensinos Fundamental e Médio. Nascido em Santa Cruz do Capibaribe - Pernambuco. Um observador dos fatos e apaixonado pela História e suas discussões.
Neste Blog pretendo apenas, gerar uma provocação, um debate, uma reflexão levando em conta os aspectos históricos de transformação de uma sociedade. Refletindo sobre a importância da História na construção de uma identidade.