segunda-feira, 9 de julho de 2007

O Cotidiano do Antigo Egito


A mais misteriosa e estudada civilização é a egípcia. Desde o século XIX, muitos estudiosos se debruçam sobre os achados desta sociedade, tentando narrar e reescrever o seu passado. Faraós, rainhas, templos e deuses são os principais focos destas pesquisas. Mais recentemente, graças a teorias e novas interpretações históricas, outros elementos do Antigo Egito têm sido postos em evidência. São ecos da História do Cotidiano se manifestando na narrativa sobre a Terra dos Faraós.
Escavações arqueológicas, análises de tumbas, documentos escritos e pinturas têm servido para elucidar a vida dos “homens comuns” do Egito, seu trabalho, suas relações sociais, sua dieta, enfim tudo que se pode saber e estudar sobre a vida das pessoas que também constroem a História e que por vezes ficam à margem na escrita da mesma.
Sabemos hoje, que incensos faziam parte do dia-a-dia das famílias do Egito, que usavam roupas em cores e tecidos de acordo com o seu trabalho e sua posição social, há ainda o fato de que se organizavam para a prática de tarefas coletivas, como a construção de uma residência, em sistema de mutirão (fato comum no Egito atual). Sabemos também, que o pão, em geral era preparado na própria residência, que a alimentação era composta basicamente de pão, alho, cerveja e peixe (caso pescassem), pato ou outra carne (elemento nem sempre presente na maioria das casas), já os nobres consumiam, queijos, vinhos e outros, fator que demonstra uma desigualdade. Na medicina esta desigualdade, quase não existia, ou seja são variantes de um mesmo processo. A História do Cotidiano tem se revelado um excelente caminho para o entendimento de transformações e permanências, de semelhanças e diferenças nas várias temporalidades de um local específico, e serve também como um valioso caminho a ser trilhado por professores em suas aulas de História.
Você concorda que o cotidiano dos povos estudados deve ser visto em pesquisas e aulas? Ou acha que o importante é a menção aos grandes fatos e personagens?

Referências:

RAMALHO, Priscila. A História em Detalhes. Revista Nova Escola págs. 26-29, Junho/Julho de 2002, São Paulo: Abril.

NOGUEIRA, Pablo. Os novos mistérios do Egito. Revista Galileu págs. 35-47, Dezembro de 2006, São Paulo: Globo.

__________ Documentário: A História Oculta do Egito, EUA: Discovery.


sexta-feira, 6 de julho de 2007

Traços de uma Historiografia Local


Narrar a própria História, a História de sua comunidade é uma tarefa fascinante e desafiadora ao mesmo tempo. Tentar reconstruir fatos ocorridos na sua territorialidade é o sonho de muitos. Falta de documentos escritos, limitações metodológicas e outras não desanimam os historiadores que se debruçam sobre a sua “História Local ou Regional”. Em muitos casos, a barreiras são enormes mas, a persistência tem sido a marca destas pessoas que se esforçam em recontar a História de suas cidades, de seus municípios, de suas localidades.
A oralidade tornou-se então uma grande aliada. O depoimento de idosos, a fala de antigos moradores, o imaginário popular e suas lendas; converteram-se em questões provocadoras, em fortes indícios ou documentos históricos, tanto que desenvolveu-se um ramo da Historiografia, chamado de História Oral. Daí muitos têm se embrenhado na tarefa de uma narrativa histórica e em diversos casos, obtido êxito.
Em Santa Cruz do Capibaribe, podemos citar algumas pessoas que, mesmo que não tenham tido tal pretensão, fizeram importantes registros para que outros possam continuar a narrativa ou reescrevê-la (Prof. Lindolfo, Avanísia Souza, Israel Carvalho, Lúcia Nascimento e mais recentemente, Bruno Bezerra). São por assim dizer traços ou referências de uma incipiente Historia Local.
Não nos esqueçamos, que toda História, por mais mundial ou global que seja, é de certa forma, uma História Local.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Opulência da Economia Açucareira


Os primeiros anos não foram fáceis. Da implantação da cultura de cana-de-açúcar ao seu apogeu, os colonos portugueses enfrentaram diversas dificuldades. Resistência dos nativos, dificuldades de adaptação ao novo modo vida, distância em relação à metrópole, limitações na comunicação. Suplantadas estas barreiras, criou-se no Brasil Colônia uma das mais prósperas empresas da era do Mercantilismo.

“Ao terminar o século XVI, a produção de açúcar muito provavelmente superava os dois milhões de arrobas, sendo uma vintes vezes maior que a quota de produção que o governo português havia estabelecido um século antes para as ilhas do Atlântico. A expansão foi particularmente intensa no último quartel do século, durante o qual decuplicou.” (FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 33 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional p. 48-49.)

Isto se comprova não só pelo volume de produção e exportação do açúcar, nem apenas pelo número de engenhos implantados no Brasil (60 no ano de 1570) mas, principalmente, pela arte e pela opulência que esta sociedade ostentava.
Esta riqueza demonstra-se nas expressões artísticas e principalmente nas Igrejas construídas no Nordeste, mesmo quando a Mineração já ocupava o primeiro lugar no valor das exportações e Arte Barroca já se evidenciava no Brasil. Inegavelmente tal opulência foi muito mais nítida na época do domínio holandês no Nordeste.
Esta marca de riqueza é tão forte que alguns historiadores falam em açucarocracia para descrever a sociedade desenvolvida em torno da plantation açucareira é foi retratada na obra de pintores e marcada nas igrejas do Recife, Salvador e João Pessoa, ou Nossa Senhora de Filipéia (como era conhecida no período). Estas igrejas, engenhos, pinturas e outros compõem um rico acervo que retrata uma parte relevante da História do Brasil e que merece ser preservada e conhecida por todos.